18 de fevereiro de 2012

Calcular Preço do Crochê - 1ª Parte

Quanto vale o Crochê ?

1ª Parte


Quanto vale o Crochê? Uma pergunta bem simples quando se trata de uma peça confeccionada por você. Mas se a pergunta é feita por outra artesã que deseja vender a peça confeccionada por ela? Eu recebo todas as semanas perguntas assim, de pessoas que estão iniciando no Crochê e até em outros artesanatos e não sabem como cobrar pelo seu serviço. O valor X é caro ou barato? É justo ou estou espantando a cliente?

Confesso que não me sinto confortável em responder já que o preço pelo serviço de uma artesã é algo muito pessoal e próprio de cada trabalho. Mas se eu não responder também é complicado pois a pessoa fica com a ideia que estou fazendo pouco caso ou não me interessei em ajudá-la. No texto abaixo e nos próximos dias vou comentar sobre este tema.

Costumo responder de forma rápida como em uma explicação que fiz na comunidade "Elaine Croche" do Orkut ainda em janeiro de 2009. Digo mais ou menos assim: que o preço a ser cobrado por um trabalho em Crochê depende de muitos fatores. No geral a maioria das pessoas cobra da seguinte maneira: se for um trabalho simples você multiplica o valor do seu custo (linha, lã, botões, elástico, transporte até a loja, etc.) por 3 (três) e se for um trabalho mais complexo (demorado para ser feito) multiplique este valor por 4 (quatro). Desta maneira você tem uma reserva para dar um desconto por quantidade ou se prevenir de alguns contratempos que podem aparecer.

Mas sempre faço a ressalva que nem em todos os casos é assim tão simples. Querem ver um exemplo? A toalhinha de copo-de-leite que já mostrei no blog diversas vezes.


Geralmente tem o corpo em uma cor, os copos-de-leite em outra quase sempre em branco e o pistilo em outra cor que as vezes é a mesma do corpo. Com um novelo você faz o corpo e para a outra cor (ou cores) você vai precisar comprar mais um novelo e até dois conforme a escolha da cliente, mas vai gastar muito pouco destes fios. Infelizmente não há como comprar "meio-novelo". Com isso o custo do material vai dobrar ou triplicar e sobrar bastante do novelo das flores e do pistilo quase inteiro. Estes novelos as vezes você vai guardar por muito tempo por não ter uma utilidade específica. Então seria justo que você cobre por este valor, mesmo que de forma parcial. Nem sempre as clientes entendem isso.

Outro exemplo é a Almofada Zig-zag Arco-íris.


Para sua confecção um cone de barbante é pouco e com dois cones há sobra de material. Diria que é possível fazer com um cone e meio dependendo do tamanho. Mas para o efeito arco-íris (ou degrade) é necessário o uso de no mínimo 5 (cinco) cores. Lá vamos nos com o mesmo dilema, pois vamos comprar material suficiente para fazermos 3 (três) ou mais peças que usaremos para fazer apenas uma... O que fazer com as sobras? Se cobrar todo o material da cliente o preço da peça fica proibitivo, se você assumir este custo seu lucro vai ficar praticamente todo na sobra do material.

É preciso um meio termo onde você diminui um pouco do seu lucro para que o valor da peça não seja fora da realidade e você perca a encomenda. Como é bom ter aquelas sobras de material que nesta hora podem ajudar a resolver este problema.

Há casos que chegam a ser tão complicados que parecem sem solução. Imagine que a cliente pede um barradinho em Crochê numa toalha de rosto ou outra bem pequena. E quer em uma cor que você não tem nenhuma sobra de fio. Você terá de comprar a linha e usar algo em torno de 20 (vinte) % do novelo. Se cobrar apenas o valor proporcional do fio que gastar mesmo que multiplique por 4 (quatro) ainda assim você estaria praticamente “pagando para trabalhar” pois receberia menos que o valor investido no material. E se cobrar o preço do novelo inteiro e multiplicar por 3? Com certeza vai espantar e perder a cliente.

E as vezes você acha que o barradinho vai ser rápido e simples de ser feito e ao invés de 2 horas gasta o dia inteiro.

Posso citar diversos casos em que esta regrinha não funciona, bem como qualquer outra. Sem falar nos contratempos que aparecem pelo caminho.

Já aconteceu comigo e pode acontecer com você também. Fazemos a previsão de gastar em uma peça apenas 1 novelo e falta um pouquinho de fio para terminar o trabalho. Não tem solução, você vai ter que comprar outro novelo e assim o lucro que você teria cai pela metade. Imagine se para complicar no armarinho que você comprou não tem mais a mesma linha (ou lote) e você tem de se deslocar a outra loja mais longe da sua casa e assim aumentam os custos com passagem, gasolina, etc. Em algumas cidades o preço da passagem de ida e volta é mais caro que a própria linha. E se o material tiver sido comprada pela net? Outro novelo significa outro pedido e mais um frete pelos correios.

Percebem todos estes detalhes? Como podem ver acabei não respondendo de forma exata a pergunta inicial deste texto, isso é complicado realmente. Mas pelo menos mostrei com exemplos praticos o porque de não poder responder e exemplifiquei algumas variáveis envolvidas nesta conta.

Cabe a cada uma colocar todos estes detalhes, examinar as particularidades no momento de calcular o orçamento para suas peças de maneira a prevalecer o bom senso. Toda negociação tem de ser boa para quem compra e para quem vende. Lembrando que com o tempo e a experiência isso será feito de forma cada vez melhor.

Amanhã postarei outra forma de cobrar pelo seu Crochê, que também não é exata pois tem seus detalhes também.

14 comentários:

Anita disse...

¡Muchas gracias Elaine! por informar tan claro sobre los precios del trabajo a crochet era algo que no sabía y tenía interés en saberlo.
Buen fin de semana desde España con cariño.

Anônimo disse...

Boa noite!!!!
Elaine
Muito boa sua explicação sobre o assunto.Esclarecedor.Como sempre o "Bom senso" é que sempre conta,não?
Abraços.
Cleide

Marjory disse...

oi Elaine
Como sempre,sua explicação tem bom senso e muita lógica,aguardo pela 2°parte.Beijos
marjoryartes.blogspot.com

Miriam Estela disse...

muy buena explicación ! con mis amigas artesanas también hemos comentado éste tema , yo siempre digo que hay que llevar en cuenta muchas cosas: material, tiempo, dificultad del trabajo , imprevistos ( como decís : si se termina un hilo y no lo encontramos ... uf! ) y creo que también miramos : el cliente ! , aunque suene feo decirlo mis clientes "amigas "que me encargan trabajos todo el tiempo , y que cuando tengo novedades sé que les muestro y me dicen ... yo quiero !a esas les hago trabajos con gusto aún si la ganancia es poca . Y otro asunto es el de los materiales ... cómo hay que guardar todo !! siempre tenemos algo que nos servirá para un próximo trabajo !y así vamos acumulando de todo .
beso beso

Luci disse...

Oi Elaine! Este tema rende muuuita conversa, não é mesmo?
Eu costuro roupas femininas e tenho dificuldade de colocar preço no meu trabalho também. Acho que, neste caso, a facilidade de encontrar peças prontas, a preços tão baixos seja o meu problema. Mas suas dicas irão me ajudar também, com certeza!
Obrigada
Lu

Sandra Fujimoto disse...

Muito obrigada, até nesta parte complicada voce se dispõe a ajudar.
Deus te abençoe grandemente,
Sandra.

Nadir Souza disse...

Olá Elaine!

Muito obrigada pela explicação é bastante esclarecedora, eu mesma já passei por diversas dificuldades para cobrar.

Preciso te pedir um favor, tenho tido alguns pedidos para fazer barrados de crochê em toalhas de banho, coloquei meu preço, mais acredito que está caro, me diga, por favor qual é o seu preço, preciso saber a realidade do mercado

Desde já agradeço muito.

Abraços

Erica Posanske disse...

Oi Elaine! Isso de cobrança, realmente é uma 'coisa cabeluda' de se resolver! Acredito que todas as artesãs tem a mesma dificuldade, e como você disse, multiplicar os custos por 3 ou 4 é o mais sensato! Quanto as sobras de material, eu digo que é investimento, cedo ou tarde, iremos usar, nem que seja para confeccionar umas florzinhas para decorar outra peça, e considero como parte do meu 'estoque', digamos assim. Para as iniciantes, isso é complicado, mas quando já se trabalha a algum tempo, a gente vê que é isso mesmo, De repente vem aquela encomenda, e você nem precisa adquirir nada, tem tudinho em casa... aí o lucro é 'limpinho' todo seu! Beijos amiga!

vfreitas disse...

Oi!Elaine!!!
Seu blog tem tudo de bom! Parabéns por seus belos trabalhos e sua generosidade em dividí-los conosco! BJ!

Mariza disse...

Lindo seus trabalhos! Parabéns.
Deus te abençoe grandemente.
Bjossss
Mariza

glacy disse...

ótimo...ótimo e ótimo Prof. tirou minhas dúvidas com toda certeza,e como sempre vc sabe explicar até como vender!
te adoro
abraço

Franci Pinheiro disse...

Boa noite!
Elaine
Muito boa sua explicação.

Guta disse...

Oi Elaine adorei o texto. ele realmente nos leva a rever varios fatores que passam despercebidos. Como sou novata e pretendo me especializar cada vez mais para ter uma ajuda na renda apos me aposentar, fico muito grata por suas explicações. Você, como sempre é brilhante! Bjs

Tata.adelino disse...

Elaine, adorei seu post, me ajudou bastante no meu trabalho, pois estou começando agora a vender sapatinhos e acessorios para bebes...mas a minha maior duvida é como calcular o preço das peças no atacado, poderia me ajudar???

agradeço desde já,
bjos
Thamires